O futuro é made in China

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A Amazon, que sempre foi conhecida como a maior livraria da Internet, tornopu-se também uma marca de leitores de eBooks. A Google, que ainda hoje é o caso mais emblemático de como chegar à fortuna em pouco tempo, quer vender/distribuir livros electrónicos, nem que para isso tenha de lutar com editoras e autores nos tribunais. E a Barnes & Noble, que sempre foi a única livraria electrónica a fazer frente à Amazon, já percebeu que tem de se "mexer" se quer ser alguém na Web e anunciou que vai lançar um leitor de livros electrónicos. Se juntarmos a estas três marcas a Sony e os seus leitores de livros electrónicos, temos de concluir que o mercado livreiro - pelo menos nos EUA - está a viver uma vida nova.

Mas os livros são só um dos exemplos: em tempos, a HP também marcou presença nas câmaras fotográficas, apesar de ser mais conhecida nos computadores; a JP Sá Couto, quando surgiu a oportunidade de lançar um netbook para as escolas portuguesas, encomendou no estrangeiro as tecnologias necessárias para criar o Magalhães; depois do iPhone, os smartphones com ecrãs tácteis multiplicaram-se como cogumelos em todas as marcas e até surgiram os famosos "iPhones de imitação"; ainda nos smartphones, a TMN acaba de lançar a segunda versão de um terminal produzido em parceria com a ZTE e a Vodafone estreou-se neste género de alianças com a Samsung.

Mesmo que não tenha um grupo de investigadores ou tradição, hoje qualquer marca experimenta lançar um produto num segmento que não é aquele onde operava originalmente. Na maioria dos casos, esta versatilidade só se tornou possível devido à origem das tecnologias.

Se no início do século, a China apenas fabricava os componentes encomendados pelas grandes marcas; hoje, já tem investigadores e laboratórios para gerar inovação ou, em alguns casos mais ou menos descarados, copiar a inovação alheia. Tudo isto sem ter perdido as múltiplas fábricas de componentes que já tinha desde os anos 90.

Como resultado, os produtos das marcas ocidentais tendem a tornar-se cada vez mais parecidos, não só por questões de concorrência, mas também porque as tecnologias que as máquinas têm dentro são, com grande probabilidade, made in China e, eventualmente, produzidas nas mesmas fábricas. Em contrapartida, empresas como a Barnes & Noble não sentem dificuldade em enveredar pelo segmento dos leitores de livros electrónicos, mesmo sem ter tradição no segmento. Afinal, basta saber o número de telefone certo e tratar da encomenda na China.

Nos próximos tempos, é bem provável que os produtos das marcas ocidentais sintam maior dificuldade em diferenciar-se entre si, até porque a maioria usa tecnologias com a mesma origem e qualquer inovação é facilmente replicável pelo "concorrente" do lado. E este até pode ser o cenário menos mau. No pior cenário, a maioria das marcas ocidentais terá sucumbido perante a concorrência das marcas chinesas.

Autor:  Hugo Séneca

Fonte: Exame Informática

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